Janeiro roxo: Uaps são referência na coleta para diagnóstico da hanseníase
Visando ampliar a conscientização e incentivar o diagnóstico precoce, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro como a data dedicada para o enfrentamento da hanseníase. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, o Brasil foi o segundo país com maior número de diagnósticos.
É nesse cenário que as Unidades de Atendimento em Atenção Primária à Saúde se tornam importantes, já que elas são a primeira porta de entrada para a população e com a coleta do material, o diagnóstico pode ser confirmado em até 10 dias.
No ano de 2025 foram feitas mais de 300 coletas para o diagnóstico da hanseníase em todas as oito unidades que possuem pessoal especializado para a coleta. De acordo com a auxiliar de laboratório Claudia de Sousa Lima, que atende na UAPS Hélio Góes, unidade da Prefeitura de Fortaleza e que conta com a gestão compartilhada do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), o exame é um pouco diferente de apenas uma coleta de sangue, e pede cautela na hora do manuseio do paciente.
“A coleta segue alguns passos importantes, como, por exemplo, diferente de uma coleta normal de sangue, precisamos nos paramentar com mais cuidado e usamos, além das luvas, máscaras, touca, um avental. Tudo isso por conta de que a coleta é feita com bisturi e precisamos fazer uma mínima incisão no paciente para coletar a linfa e células da camada superficial da pele, e sera esse material que vamos posicionar na placa a ser enviado para o laboratório. Nesse processo, temos que fazer o recolhimento dos lóbulos das orelhas e dos cotovelos”, afirma Cláudia.

A auxiliar ainda explica que o paciente não precisa estar em jejum, pelo contrário, como é um procedimento mais complexo, ele precisa estar bem alimentado. “Muitos pacientes não sabem que precisam vir alimentados e ficam em jejum, o que pode acarretar um pouco de mal-estar. Aqui no Hélio tentamos acomodar o paciente da melhor forma e fazer a orientação antes de qualquer coisa e dar um espaço para ele se preparar para a coleta”, explica.
O encaminhamento para a coleta é feito por meio da consulta com um médico da unidade que, após uma análise de possíveis sintomas característicos, como alterações na pele tipo manchas e lesões que não possuem sensibilidade ao toque ou dor, fazem o encaminhamento para a coleta de material para descartar a suspeita.
A aposentada Eva Maria passou por uma primeira consulta na UAPS Anísio Teixeira e foi encaminhada para ser atendida no laboratório do Hélio Góes. “Eu tive uma pequena lesão na minha perna que, infelizmente, não sarou do jeito normal. Quando vim para a minha consulta, o médico achou estranho e pediu para eu fazer a coleta e confirmar o diagnóstico”, conta a aposentada.

“A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que possui origem milenar e, apesar de ser muito antiga, continua sendo um sério problema de saúde pública no nosso país e no mundo. Se a pessoa apresentar qualquer sinal ou sintoma da doença, deve procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima da casa dela para ser consultada por um médico ou pela enfermeira. Quanto mais cedo a pessoa procurar a unidade de saúde, maior a chance da pessoa ficar verdadeiramente curada”, explica a médica dermatologista da unidade, Juliana Cavalcante Ramos.
Coletou e agora?
Após a coleta sequencial obrigatória, a placa com o fluido passa ainda por um manuseio que fixa o material e evita perdas na hora do envio para o laboratório. “ Aqui ainda fazemos um procedimento de fixação da lâmina, que consiste em passar a placa em uma chama para que o material não se perca quando enviamos para a análise laboratorial”, reitera.

Após isso, a mostra é colocada em porta lâmina com as informações de cada paciente e enviado. O Primilab, laboratório responsável pelas análises, recolhe as amostras no mesmo dia que são coletadas, dando uma margem de retorno de até 10 dias. Após isso, o resultado é enviado para o médico e o paciente pode fazer o retorno.
Unidades que fazem a coleta
Ao todo são oito unidades que fazem esse tipo de trabalho, são elas: Uaps Carlos Ribeiro; Uaps Geroldo Madeiro (Pio XII), Uaps Cícera Carla; Uaps Luis Costa; Uaps Paracampos e Fernando Diógenes; Uaps Hélio Goes e Edmar Fujita.