Hospitais da Rede Sesa informatizam rastreabilidade de materiais e reforçam segurança do paciente
Unidades da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) passaram a contar com a informatização completa do processo de rastreabilidade de materiais hospitalares. A medida fortalece a segurança do paciente ao garantir mais controle, agilidade e confiabilidade em todas as etapas de processamento dos produtos utilizados na assistência à saúde.
Referência em cirurgias de média e alta complexidade, os hospitais utilizam um sistema informatizado para monitorar os materiais que passam pela Central de Material e Esterilização (CME), setor responsável pelo preparo, esterilização e liberação dos instrumentos utilizados em procedimentos cirúrgicos e assistenciais. Os equipamentos que aderiram à novidade, até o momento, foram o Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv), o Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), o Hospital Universitário do Ceará (HUC) e o Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara.

Bianca Nogueira, coordenadora da CME do HUC, participou ativamente da implantação do sistema, e destaca a importância da ferramenta para a qualidade da assistência. “O software permite acompanhar todo o ciclo do processamento dos materiais, desde a limpeza e esterilização até o registro e a monitorização, garantindo que o paciente seja assistido de forma adequada e segura”, explica.
A coordenadora também ressalta os avanços relacionados à segurança da informação e à gestão de riscos. “A informatização facilita o rastreamento de falhas no processo, possibilitando a adoção de estratégias de melhoria contínua, além de oferecer respaldo legal e ético à instituição em casos de eventos adversos”, completa.
Segurança do paciente e apoio à gestão
O Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv) foi pioneiro na rede ao implantar, em 2024, o sistema informatizado de rastreabilidade de materiais, contribuindo para o aprimoramento da segurança e da gestão dos processos assistenciais.
Materiais médico-hospitalares reprocessáveis (como instrumentais cirúrgicos) devem ser esterilizados antes do uso, passando por um rigoroso processo de destruição de microrganismos, conforme as normas sanitárias vigentes. Com o sistema informatizado, cada item recebe etiquetas com códigos e identificadores específicos, o que permite acompanhar todo o percurso do material dentro da unidade hospitalar, desde a Central de Material e Esterilização (CME) até o uso final.
Para o coordenador de Enfermagem da CME do Helv, Ângelo Daniel Alves Teixeira da Silva, o impacto da tecnologia é direto e abrangente na qualidade do cuidado prestado. “O sistema possibilita o acesso em tempo real às informações, garantindo decisões mais rápidas e eficazes, com o apoio da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar”, destaca.
Segundo Ângelo, o programa também contribui para a eficiência operacional e a sustentabilidade. “A informatização eliminou o uso de papel, reduziu custos, aumentou a produtividade e permitiu direcionar a equipe para outras atividades, como treinamentos, qualificando ainda mais o serviço”, avalia.
Conformidade com normas sanitárias
A técnica de enfermagem Izabel Cristina Soares dos Santos ressalta as vantagens práticas do novo modelo, em comparação ao processo manual utilizado anteriormente. “Com essa tecnologia, otimizamos o processo e ganhamos celeridade no registro dos materiais, especialmente nos casos urgentes”, afirma.

A profissional explica como funciona o sistema informatizado. “Cada equipamento possui um QR code e só avança para a próxima etapa após a conclusão da anterior, criando barreiras de segurança, evitando erros de registro e assegurando o uso apenas de equipamentos devidamente esterilizados”.
Conforme a coordenadora de enfermagem da CME do HRVJ, Talessa Uchôa, a unidade enfrentava anteriormente um elevado custo com o uso de papel, além de dificuldades para garantir a rastreabilidade completa dos processos. “Antes, não conseguíamos ter uma rastreabilidade fiel de todas as etapas. Hoje, é possível acompanhar, de fato, todo o trajeto do material”, destaca.
Ela explica que o rastreamento tem início no expurgo, quando o material retorna das unidades assistenciais, segue para as etapas de preparo e esterilização e, por fim, chega à distribuição. “Nesse momento, é possível identificar para qual unidade o material foi encaminhado, quanto tempo permaneceu em uso e quando retornou à CME”.
Rastreabilidade consolidada
O HGWA, vivencia atualmente um estágio de maturidade na rastreabilidade informatizada de materiais. A consolidação do sistema tem gerado impactos positivos contínuos nos protocolos de segurança do paciente, na eficiência operacional e na qualificação da gestão dos materiais médico-hospitalares.

Segundo a coordenadora da CME do HGWA, Maria Helane Rocha, o acompanhamento do sistema já está plenamente integrado à rotina da unidade, ocorrendo de forma contínua em todos os turnos e abrangendo a clínica cirúrgica, os serviços de imagem e o ambulatório.
Desde a implantação, em agosto de 2025, os resultados têm sido expressivos, com avanços na organização dos fluxos, maior confiabilidade das informações e mais agilidade no suporte às equipes assistenciais, impactos que refletem diretamente na qualidade do cuidado prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).